Celso Ming
''Cuidado com a especulação''
O Estado de S. Paulo - SP - ECONOMIA - 01/12/2009 - 08:59:15
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Intermeadas por períodos de aparente desinteresse pelo tema, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tem feito advertências contra práticas especulativas no mercado.
Na semana passada ele voltou ao assunto com a observação de que a moratória do emirado de Dubai, em consequência de seus negócios imobiliários mirabolantes, é o tipo de bolha que os investidores devem evitar. O Brasil não é Dubai e não há por aqui nenhum xeque das Arábias que venha se notabilizando por aventuras parecidas. Meirelles parece avisar que nem todas as perdas financeiras provocadas pela crise são conhecidas. Mas o investidor não tem muito o que fazer com a advertência. O ministro Guido Mantega já foi mais específico, mas às vezes mais confunde do que esclarece, porque suas ações são contraditórias. Para ele, as aplicações em Bolsa chegaram a um nível tal que exigem intervenção das autoridades. Foi a justificativa que deu quando do início da cobrança de um IOF de 2% sobre aplicações de estrangeiros em renda variável no Brasil. No entanto, Mantega não entendeu que devesse desestimular também as operações de brasileiros em Bolsa, talvez porque precisa atrair o dinheiro do aplicador para esse segmento. O próprio governo brasileiro parece diretamente interessado num mercado de ações empinado e cheio de apetite. O Banco do Brasil anunciou emissões de cerca de R$ 10 bilhões em ADRs (American Depositary Receipts), o instrumento pelo qual as ações de empresas brasileiras podem ser negociadas na Bolsa de Nova York. E prepara alentada subscrição de ações em 2010 (veja o Confira). A Petrobrás também anunciou para até julho do ano que vem gigantesca subscrição de ações, a maior da história, provavelmente em torno de R$ 120 bilhões (US$ 70 bilhões), que, em princípio, só terá sucesso se o mercado de ações continuar sadio. No final dos anos 90, quando denunciou a "exuberância irracional dos mercados", o então presidente do banco central americano (Fed), Alan Greenspan, não chegou a tomar nenhuma providência para coibir essas ou outras práticas congêneres. Manteve os juros lá em baixo, próximos a 1% ao ano durante bom período e algo acima disso em períodos seguintes. Mas, pelo menos, ficou claro que se referia ao mercado de ações e não propriamente ao de imóveis ou de moedas. No momento, o presidente do Fed, Ben Bernanke, não se mostra particularmente preocupado com os mercados de risco. Pelo menos, não consta nenhuma advertência nessa direção. No entanto, alguns analistas não param de avisar que o lobo está preparando um ataque ao rebanho. O mais insistente é Nouriel Roubini, que se notabilizou por prever enorme destruição de riqueza com o estouro da bolha que viria em 2008. Ele só não aconteceu em plenitude porque houve a forte intervenção dos governos e dos bancos centrais. Roubini avisa que as condições para a formação das bolhas continuam aí. Não fica claro a que práticas especulativas Meirelles e, principalmente, Mantega se referem e quais pretendem desestimular. Deveria o investidor entender que subscrever ações do Banco do Brasil ou da Petrobrás será enorme risco? Confira Grande demanda - O vice-presidente do Banco do Brasil, Ivan de Souza Monteiro, informa que é surpreendente o interesse que a colocação de ADRs do Banco do Brasil está despertando em Nova York. Ele garante também que o Tesouro Nacional está fortemente empenhado na montagem do plano de subscrição de ações do Banco do Brasil, previsto para 2010. "Vamos ultrapassar as condições das ações do Itaú e do Bradesco hoje apresentadas em Nova York", avisa Souza Monteiro. O lançamento das ADRs do Banco do Brasil está previsto para amanhã. |
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