ITALO NOGUEIRA
DA SUCURSAL DO RIO
Após pressão de empresários e do Ministério do Turismo, o BNDES lançou ontem
uma linha de financiamento
para a construção e reforma
de hotéis com condições
consideradas "generosas"
pelo banco. O objetivo é
atender às exigências da organização da Copa de 2014 e
da Olimpíada de 2016.
A dotação é de R$ 1 bilhão,
mas Élvio Gaspar, diretor do
BNDES, disse que ela pode
ser ampliada, dependendo
da procura.
A taxa de juros é a segunda
mais baixa do banco, afirmou
Gaspar -acima apenas de
projetos acadêmicos de inovação. O prazo para quitação
é o mesmo dado a obras
grandes e complexas, como
hidrelétricas e ferrovias.
A rede hoteleira é o principal problema da organização
da Olimpíada de 2016, no
Rio. A cidade-sede tem deficit de 12 mil leitos -28 mil
contra 40 mil necessários.
De acordo com Alfredo Lopes, presidente da seção do
Rio da Associação Brasileira
da Indústria de Hotéis, a linha já atende às necessidades de financiamento para a
Olimpíada. A estimativa é
criar 20 mil novos leitos na
cidade até 2016. Dessa forma, não seria necessário usar
navios, como oferecido no
projeto da candidatura.
A taxa de juros varia de
6,9% a 7,8%, acrescida de taxa de risco, que depende do
perfil do tomador do crédito.
O banco já tinha uma linha
de crédito voltada ao setor,
mas com prazos mais curtos.
Ele mudou de seis a oito anos
para dez a 18 anos.
O valor mínimo da operação também caiu de R$ 10
milhões para R$ 3 milhões
nas cidades-sede. O nível de
participação do financiamento no empreendimento
subiu de 60% para 80%.
"Dado o nosso interesse
em fazer essa renovação do
parque hoteleiro, nós avançamos, numa negociação dura com o ministério", afirmou Gaspar, do BNDES.
"Havia uma linha antes que
tinha pouca procura. Identificamos por que havia esse
problema", disse o ministro
Luiz Barretto (Turismo).
A Fifa exige que o país ofereça 55 mil leitos. Nas cidades-sede, o número de leitos
deve representar 20% do total de assentos do estádio.
Nessas condições, cinco capitais não atendiam à regra
(Belém, Rio Branco, Manaus,
Campo Grande e Cuiabá).
Cidades a até 50 km das sedes também poderão ser
usadas no cálculo.
O prazo para apresentação
dos projetos é 31 de dezembro de 2012. Segundo a associação de hotéis, um estabelecimento desse tipo demora
três anos para ficar pronto.