Portos do Paraná aumentam participação nas exportações brasileiras

Bem Paraná - Curitiba/PR - PARANÁ - 20/01/2010 - 10:57:00

AEN

Embarques das mais de 1,7 milhão de toneladas de carnes somaram mais US$ 2,92 bilhões


Os portos de Paranaguá e Antonina aumentaram suas participações na receita cambial das exportações brasileiras de 7,1%, em 2008, para 8,2%, no ano passado, segundo dados divulgados pela Receita Federal de Paranaguá.

A receita gerada com os embarques, em 2009, foi de US$ 12.473.374.509,00. O saldo da balança comercial dos portos do Paraná foi de US$ 6,2 bilhões, o que representou um crescimento de 46,4% em relação ao resultado de 2008.

A participação dos portos de Paranaguá e Antonina no saldo da balança comercial brasileira aumentou de 17,3% para 24,9%, em 2009. Foi o melhor desempenho entre os principais portos do País e correspondeu a praticamente metade do saldo do Porto de Santos, que recuou 5,2%. A queda do saldo comercial do Porto de Vitória foi ainda maior: -21%, o que fez reduzir sua participação no saldo da balança comercial brasileira de 38,59%, em 2008, para 29,87%, no ano passado.

Na corrente de comércio brasileira (soma das exportações e importações), os complexos paranaenses aumentaram sua participação de 6,4% para 6,7%, com o resultado de mais de US$ 18,6 bilhões. “O crescimento de 0,3% pode parecer pequeno, mas quando se trata de bilhões de dólares é um percentual bastante significativo”, afirmou o assistente da Alfândega do Porto de Paranaguá, auditor-fiscal Fernando Sottomaior.

As exportações brasileiras sofreram o impacto da crise mundial, registrando um recuo de 22,8% na receita cambial, em 2009, na comparação com o ano anterior. Os portos do Paraná registraram uma das menores quedas entre os principais complexos do País: -11,2%. Em Santos, os embarques tiveram uma retração de 18,4% e, em Vitória, de 29,9%. A maior queda foi observada nos portos do Rio de Janeiro (-34,6%) e de Itajaí (-33,7%).

“A crise, aliada à queda do dólar, reduziu as exportações. Essas foram as principais razões da retração nas vendas externas. Os negócios com a China e o redirecionamento de cargas de outros portos para Paranaguá reduziram os efeitos negativos da crise aqui”, avaliou Sottomaior.


O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Welber Barral, concorda que os estados devem diversificar sua pauta de exportações e ampliar sua participação no comércio internacional para não ficarem reféns das oscilações do mercado.

“O Paraná é o quinto maior exportador brasileiro, é um estado extremamente importante. O Paraná aumentou muito suas exportações para a Ásia, justamente, por essa questão de aumento da demanda de alimentos. Nosso desafio, no que se refere especificamente ao Paraná, é diversificar, aproveitar nichos, como é o caso do nicho moveleiro, para tentar chegar a novos mercados. Por isso, estamos aumentando o número de missões comerciais em 2010”, antecipou.

MERCADOS

A China foi o principal destino das cargas exportadas pelo Porto de Paranaguá, com 11,8% de participação. Em valores, as exportações para o mercado chinês somaram US$ 1,47 bilhão. A Alemanha teve a segunda maior participação (7%) com US$ 869,6 milhões.

De acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), os mercados de Bangladesh, Índia e Irã, apesar de terem participações menores entre os principais destinos das exportações feitas por Paranaguá, responderam pelas maiores altas nos valores negociados com o Brasil.

Em 2008, Bangladesh havia importado, via Porto de Paranaguá, US$ 67,1 milhões. No ano passado, esse valor subiu para US$ 225,7 milhões: alta de 236%. A Índia aumentou sua participação entre os principais destinos de 1,1%, em 2008, para 3,8%, em 2009. Em valores, o crescimento foi de US$ 154 milhões para US$ 478,1 milhões ou o equivalente a 210%.

Segundo maior produtor mundial de cana, a Índia se viu obrigada a importar açúcar, em 2009, por causa da quebra de safra naquele País. O mercado indiano foi o destino da maior parte do açúcar exportado pelo Porto de Paranaguá: mais de 1 milhão de toneladas ou US$ 330,8 milhões. Bangladesh foi o terceiro maior comprador do açúcar exportado por Paranaguá: 534,5 mil de toneladas ou US$ 225,6 milhões.

Já as exportações para o Irã pelo Porto de Paranaguá cresceram 107%: de US$ 160,8 milhões para US$ 333,6 milhões, na comparação 2008/2009, aumentando a participação do país de 1,1% para 2,7% entre os principais destinos das cargas que saem do complexo paranaense. O principal produto exportado para o mercado iraniano foi farelo de soja: 361 mil de toneladas ou US$ 130,4 milhões.

PRODUTOS

Os produtos congelados foram os que mais contribuíram com a receita cambial das exportações pelos portos do Paraná, com 23,4% de participação. Os embarques das mais de 1,7 milhão de toneladas de carnes e outros derivados somaram mais US$ 2,92 bilhões.

A soja foi o segundo produto de maior peso na balança comercial dos portos paranaenses, com 15,4% de participação. As exportações do grão – 4,81 milhões de toneladas - geraram US$ 1,91 bilhão. O farelo de soja também teve participação expressiva na receita: 13,3%. Foram negociados com o mercado externo mais de 4,77 milhões de toneladas ou o equivalente a US$ 1,66 bilhão.

As exportações de açúcar, que tiveram um dos melhores desempenhos em volume no Porto de Paranaguá, em 2009, aumentaram de 6% para 10% a participação na receita cambial. Em valores, os embarques dos mais de 3,8 milhões de toneladas do produto (granel e ensacado) somaram US$ 1,25 bilhão.
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